segunda-feira, 4 de maio de 2015

FLORA ENCANTADA

Flora Encantada era exibida das 10h30 às 11h, fazendo as vezes de uma novelinha ecológica que transmitia noções de cidadania, preservação da natureza, qualidade de vida e solidariedade. A implantação e supervisão da novelinha, assim como dos então novos projetos da programação infantil, estavam a cargo da Diretoria de Desenvolvimento de Projetos, sob o comando de Roberto de Oliveira. A ideia da emissora era criar produtos nacionais de meia hora de duração que buscassem o equilíbrio entre divertimento e educação.


FORMATO

História em quadrinhos, cartoon e a fantasia dos livros infantis inspiraram o programa, onde atores e bonecos contracenavam em uma produção com humor e aventura, caracterizada por uma apurada estética visual. Personagens engraçados transitavam em ambientes mágicos, com cenários coloridos formados por árvores, flores gigantes e animais da floresta, procurando estimular nas crianças o cuidado com a natureza, a curiosidade por novas descobertas, a responsabilidade como cidadãs e o respeito às diferenças.
Um comitê pedagógico foi criado para avaliar as novas produções da emissora e adequá-las à linha “aprender se divertindo”. Além disso, uma bióloga especializada em controle ambiental prestou assessoria ao programa.
A trama principal girava em tono de Flora (Angélica), uma jovem que herda de seu avô uma reserva ecológica, situada entre os prédios de uma grande cidade. Apaixonada pela natureza, ela se dedica a preservar a reserva da ambição de Gana Ganância (Fernanda Lobo), que ganha dinheiro vendendo animais silvestres, madeiras nobres e espécies ameaçadas. Flora está sempre com sua bolsa, onde carrega sementes, perfumes e poções secretas. Ela conta com a ajuda de seus amigos e de seus conhecimentos da natureza e de alquimia, que a ajudaram a desenvolver os poderes mágicos.
Entre seus amigos está o adolescente Gafa (Leonardo Miggiorin), garoto que adora a natureza, especialmente os insetos. É apaixonado por Flora, mas é muito tímido e sempre fica nervoso quando está perto dela.
A jovem também conta com a ajuda do indiozinho Mirim (Cambiro/Vanilson Bente), que conheceu Flora após ter sua aldeia destruída por Gana Ganância; da tagarela Joaninja, uma joaninha mensageira; de Toupeira, um castor dentuço; e de três flores cantoras, que cantam provérbios, ditados e recados rimados para Flora e seus amigos.
Além de Joaninja, Toupeira e das flores cantoras, mais três personagens da história são feitos de pano e espuma: Tanachata, uma tanajura estressada, principal aliada de Gana Ganância; e Traça e Papa, dupla de traças, que adoram comer páginas de livros e também são auxiliares de Ganância. A formiga Tanachata chamava atenção pela voz esganiçada, e articulava os cílios com movimentos ágeis.
Em novembro de 1999, um novo personagem começou a gravar a novelinha: o divertido macaquinho Bananico.

PRODUÇÃO

Ao todo, quatro atores e oito bonecos de manipulação integravam o elenco. Os bonecos, criados pela escritora e roteirista Mariana Caltabiano, foram todos confeccionados e manipulados pela equipe de Quiá Rodrigues e Renato Spinelli.
A novelinha seguia o formato dos desenhos animados.  Eram apresentadas duas ou três histórias curtas e independentes a cada dia e, ao final do programa, havia sempre um clipe musical. A trilha sonora foi criada especialmente por Tim Rescala e apresentava canções inéditas, desde uma música de estilo clássico, utilizada na abertura, até uma salsa, uma opereta, uma balada e um foxtrote. Uma orquestra de 30 músicos e um coro de oito vozes trabalharam na execução das canções e da trilha incidental.
As equipes de cenografia, figurino e produção de arte buscaram referências nos desenhos animados e nos elementos de pop art para dar a cara do programa. Os cenários contavam com três ambientes: a floresta, com um painel, ao fundo, representando os arranha-céus da cidade; a sede da reserva, localizada na raiz de uma grande árvore habitada por Flora – onde ela fazia suas experiências –, apresentando cacos coloridos e sinuosidades inspiradas no artista plástico Gaudí; e a casa da moderna e fashion bruxa Gana Ganância, decorada por cabeças de animais empalhados com cara de bicho de pelúcia e animais que ganhavam vida por meio de manipulação e controle remoto.
Desde a bancada de laboratório onde Flora preparava suas ervas, perfumes e poções mágicas até os adereços tecnológicos encontrados na casa de Gana Ganância, todos os objetos, estilizados ou não, podiam ser facilmente reconhecidos pelas crianças, como nos cartoons.
Os figurinos misturaram referências de histórias infantis com elementos neo-hippies na caracterização dos atores e bonecos, bem caricatos. Todos os personagens – principalmente Flora – usavam disfarces em suas tentativas de espionagem.

CURIOSIDADES

O menino Vanilson Bente, que interpretava o personagem Mirim, era oriundo de uma reserva guarani localizada em Aracruz, no Espírito Santo (ES). Em sua tribo, atendia pelo nome Cambiro.
Leonardo Miggiorin fez sua estreia na TV nessa novelinha. Danielle Winits participou da novelinha interpretando um clone de Angélica.
A partir do dia 21 de fevereiro de 2000, as histórias passaram a ser semanais.

ELENCO

Angélica - Flora
Leonardo Moreira - Gafa
Fernanda Lobo - Gana Ganância
Daniella D’Andrea - Joaninja
Cambiro (Vanilson Bente) - Mirim
Renato Espinelli - Papa
André Bernardino - Tanachata
Cacá Sena - Toupeira
Quiá Espinélli - Traça

FICHA TÉCNICA
Redação: Mariana Caltabiano e equipe; Claudia Souto e equipe
Coordenação de criação: Mariana Caltabiano
Direção: Rogério Gomes, Ulysses Cruz e Marcelo Zambelli
Direção-geral: Rogério Gomes
Direção de desenvolvimento de projetos: Roberto de Oliveira
Cenografia: Fumi Hashimoto
Produção de arte: Mônica Cairo de Barros
Figurino: Helena Fonseca
Fotografia: José Guerra e José Carlos
Produção musical: Tim Rescala e Felipe Reis
Efeitos visuais: Paulo Tibau e Rogério Costa
Efeitos especiais: Gilson
Gerência de projetos: André Ventura
Edição: William
Maquiagem: Suzana Lindoso (Angélica)